Entrevistamos duas educadoras que tiveram a oportunidade de
trabalhar com crianças com necessidades especiais, perguntamos sobre seus
principais desafios e como lidaram com essas crianças e com os outros alunos.
A professora Rosangela, tem 41 anos, se formou em 2007 no curso de
Pedagogia e fez um curso de especialização de formação básica em Deficiência
Física para professores na AACD. Isabel tem 38 anos é formada em Pedagogia e em
2008 se especializou como psicopedagoga.
01 - Como
se deu seu inicio como professora de Educação Inclusiva?
Rosangela - Sempre foi assim, todo ano você recebe a
lista de alunos e te comunicam que estará recebendo um aluno com inclusão. Este ano fui comunicada que teria na
classe dois alunos com síndrome de Down e mais 21 alunos.
Isabel - Em
2009 com uma criança cujo diagnostico era hiperatividade e deficiência mental e
depois uma criança com paralisia cerebral e problemas cognitivos e cadeirante.
02 - Sua formação te deu base para trabalhar com
crianças especiais?
Rosangela - Teoricamente sim,
mas na prática observo que a teoria ajuda a refletir sobre a as ações
envolvidas, mas não te prepara e não te dá ferramentas no dia a dia com a criança.
Isabel - Conhecimento teórico
razoável mas para a prática faltou o
estágio especifico.
03 - Como
foi a sua preparação para receber seus alunos especiais?
Rosangela - Não houve preparação, no começo do ano a coordenação
apenas avisa sobre o quadro de alunos.
Isabel - Não me preparei,
chegou e fui buscar auxilio onde as alunas eram acompanhadas,
tive instruções de psicopedagogos, terapeutas e psicólogos.
04 - Quais
foram as mudanças na sua rotina de trabalho com a chegada de crianças
especiais?
Rosangela - Tudo, desde
atenção individual que elas necessitam, quanto para o restante da sala que
também precisa de intervenções pontuais, concentração do restante da sala nas
atividades que estão sendo realizadas.
Isabel - Não mudou, eu
apenas tive que ajudar a estagiaria a aplicar ou dar comandos para a sala
enquanto aplicava as atividades.
05 - Quais
as principais dificuldades enfrentadas por você no processo de inclusão?
Rosangela
- O
que trabalhar com esses alunos, a falta de material pedagógico direcionado para
que possa avançar na sua aprendizagem dentro das suas limitações. Duvidas constantes
e falta de curso de capacitação de prática com esses alunos. Espaço lúdico
pedagógico apropriado para interagir.
Isabel - A preocupação com
o desenvolvimento da criança.
06 - Na
sua opinião, qual o papel da escola na inclusão de crianças especiais?
Rosangela - Acredito que é dar
instrumentos teóricos e práticos para que o professor se sinta seguro e capaz
de visualizar e realizar um bom trabalho em sua sala de aula.
Isabel
-
Respaldar o professor em suas dificuldades pedagógicas, trazendo diversidades
no contexto prático - pedagógico
07 - Qual
a participação dos pais no atendimento e acompanhamento?
Rosangela - Observo que de uma
família há interesse e vê os avanços da parceria com a escola aos
encaminhamentos com a fono, psicopedagoga
e outros. Já na outra família não há comprometimento com esses encaminhamentos,
prejudicando o avanço mínimo na sala de
aula.
Isabel - De acordo com a
minha experiência infelizmente não houve participação/parceria nem com a escola
e nem com o professor em particular.
08 - Qual
a vantagem para uma criança sem necessidades especiais, estudar ao lado de uma
criança com necessidades especiais?
Rosangela
-
Observo que a vantagem é o olhar deles para com essas crianças: são carinhosos, solidários,
sempre se propondo a ajudá-los, não fazem discriminação, não excluem das
brincadeiras. Tornando-se cidadãos mais conscientes, respeitando e aceitando as diferenças.
Isabel
- O
desenvolvimento da noção de igualdade, solidariedade e naturalidade, ou seja,
quando ele ver outra situação parecida agirá sem preconceitos.
09 -
Houve mudanças na sua vida pessoal e profissional a partir dessa experiência
com crianças especiais?
Rosangela - Sim, passo horas
tentando elaborar estratégias diferentes para a minha prática e buscando mais
informações para saber lidar com as situações que aparecem. Houve mudança no
meu olhar para com essas crianças, são prazerosos os momentos de atividades com
eles.
Isabel
-
Sim, conhecimento, busquei teoria e
prática e aprendi a agir com naturalidade em todas a situações sem
preconceitos.
10 - Você
acredita que a inclusão pode contribuir para diminuir o preconceito? Por quê?
Rosangela - Sim, acredito que são pessoas capazes de realizar autonomamente
atividades do dia a dia como qualquer outra pessoa na sociedade em que vive,
deste que sejam preparadas para isso.
Isabel
-
Sim, a partir do momento que a criança convive e conhece, ela agira com
naturalidade em situações diversas, e sem preconceito.
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